A surucucu pico de jaca, ou simplesmente pico de jaca, é considerada a maior serpente peçonhenta das Americas, podendo atingir mais de 3 metros de comprimento. No Brasil são reconhecidas duas espécies de surucucu: Lachesis muta e Lachesis rhombeata. A primeira espécie representa as populações presentes na Amazônia e a segunda se refere às populações presentes ao longo da Mata Atlântica [1]. A espécie Lachesis rhombeata é uma espécie que só ocorre no Brasil, presente nos estados do Ceará, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
A surucucu pico de jaca tem esse nome por causa do formato de suas escamas, as quais apresentam um relevo característico que confere ao corpo da serpente um aspecto áspero, como a casca de uma jaca. A surucucu tem uma coloração predominante marrom ou laranja escuro, com grandes manchas negras em formato de triangulo invertido com espaçamento regular ao longo do corpo. A área interna de cada porção triangular é frequentemente clara e têm a mesma tonalidade da cor do fundo.
Na Mata Atlântica, a surucucu é encontrada em florestas primárias e em florestas secundárias originalmente desmatadas. É uma espécie com hábitos terrestres, passando a maior parte do tempo no solo da mata, camuflada entre as folhas mortas da serrapilheira. À noite, período em que está mais ativa, fica mais próxima de trilhas de mamíferos e pode ser encontrada em espaços mais abertos do sub-bosque [2].
Lachesis rhombeata é uma espécie ovipara. Durante o período reprodutivo as fêmeas podem colocar entre 3 e 14 ovos por ninhada [3]. As surucucus são as únicas serpentes da família Viperidae da região Neotropical que põem ovos.
Por causa de sua baixa diversidade genética, comparada com a sua espécie irmã amazônica e também por causa de sua baixa densidade em áreas cada vez menores de floretas úmidas e conservadas, Lachesis rhombeata é considerada uma espécie ameaçada de extinção. Apesar de ser uma grande serpente peçonhenta, as picadas de surucucus representam 3,5% de todos os acidentes ofídicos registrados no Brasil entre 2003 e 2012 [4].
Registro realizado na APA Aldeia Beberibe no dia 3 de junho de 2025. Esta surucucu fêmea estava sendo solta após ser analisada por um grupo de pesquisadores do Laboratório Interdisciplinar de Anfíbios e Répteis da Universidade Federal Rural de Pernambuco. A região da APA Aldeia Beberibe é considerada atualmente um dos lugares mais importantes no Brasil para o estudo destas serpentes. Se encontrar algumas dessas serpentes, não se aproxime e, principalmente, não mate. Ela pode ser perigosa, mas é uma das espécies mais bonitas de serpentes e merece todo o nosso respeito e cuidado.






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