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Surucucu pico de jaca

Publicado por Aléssio F.

no dia 24/07/2025

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Surucucu pico de jaca

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Descrição

A surucucu pico de jaca, ou simplesmente pico de jaca, é considerada a maior serpente peçonhenta das Americas, podendo atingir mais de 3 metros de comprimento. No Brasil são reconhecidas duas espécies de surucucu: Lachesis muta e Lachesis rhombeata. A primeira espécie representa as populações presentes na Amazônia e a segunda se refere às populações presentes ao longo da Mata Atlântica [1]. A espécie Lachesis rhombeata é uma espécie que só ocorre no Brasil, presente nos estados do Ceará, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

A surucucu pico de jaca tem esse nome por causa do formato de suas escamas, as quais apresentam um relevo característico que confere ao corpo da serpente um aspecto áspero, como a casca de uma jaca. A surucucu tem uma coloração predominante marrom ou laranja escuro, com grandes manchas negras em formato de triangulo invertido com espaçamento regular ao longo do corpo. A área interna de cada porção triangular é frequentemente clara e têm a mesma tonalidade da cor do fundo.

Na Mata Atlântica, a surucucu é encontrada em florestas primárias e em florestas secundárias originalmente desmatadas. É uma espécie com hábitos terrestres, passando a maior parte do tempo no solo da mata, camuflada entre as folhas mortas da serrapilheira. À noite, período em que está mais ativa, fica mais próxima de trilhas de mamíferos e pode ser encontrada em espaços mais abertos do sub-bosque [2].

Lachesis rhombeata é uma espécie ovipara. Durante o período reprodutivo as fêmeas podem colocar entre 3 e 14 ovos por ninhada [3]. As surucucus são as únicas serpentes da família Viperidae da região Neotropical que põem ovos.

Por causa de sua baixa diversidade genética, comparada com a sua espécie irmã amazônica e também por causa de sua baixa densidade em áreas cada vez menores de floretas úmidas e conservadas, Lachesis rhombeata é considerada uma espécie ameaçada de extinção. Apesar de ser uma grande serpente peçonhenta, as picadas de surucucus representam 3,5% de todos os acidentes ofídicos registrados no Brasil entre 2003 e 2012 [4].

Registro realizado na APA Aldeia Beberibe no dia 3 de junho de 2025. Esta surucucu fêmea estava sendo solta após ser analisada por um grupo de pesquisadores do Laboratório Interdisciplinar de Anfíbios e Répteis da Universidade Federal Rural de Pernambuco. A região da APA Aldeia Beberibe é considerada atualmente um dos lugares mais importantes no Brasil para o estudo destas serpentes. Se encontrar algumas dessas serpentes, não se aproxime e, principalmente, não mate. Ela pode ser perigosa, mas é uma das espécies mais bonitas de serpentes e merece todo o nosso respeito e cuidado.

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Observações

[1] Hamdan, B., Bonatto, S. L., Rödder, D., Seixas, V. C., Santos, R. M. F., Santana, D. J., ... & Zingali, R. B. (2024). When a name changes everything: taxonomy and conservation of the Atlantic bushmaster (Lachesis Daudin, 1803)(Serpentes: Viperidae: Crotalinae). Systematics and Biodiversity, 22(1), 2366215.

[2] Padrón, D. F., Mebert, K., Pareja-Mejía, D., Bauer, A., Fernandes Vasconcelos, L. D., Correia, D., ... & Solé, M. (2023). Living in a mosaic of Brazilian Atlantic Forest and plantations: spatial ecology of five bushmaster Lachesis muta (Viperidae Crotalinae). Ethology Ecology & Evolution, 35(5), 530-550.

[3] Alves, F. Q., Argôlo, A. J., & Carvalho, G. C. (2014). Reproductive biology of the bushmaster Lachesis muta (Serpentes: Viperidae) in the Brazilian Atlantic Forest. Phyllomedusa: Journal of Herpetology, 13(2), 99-109.

[4] Matos, R. R., & Ignotti, E. (2020). Incidence of venomous snakebite accidents by snake species in Brazilian biomes. Ciência & Saúde Coletiva, 25, 2837-2846.

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