Mutualismo , predação e parasitismo. Todas estas interações ecológicas foram registradas em um único momento. Enquanto a capivara meditava sobre o futuro do Brasil, o frango d’agua azul (nem tão azul assim) aproveitava para fazer um lanche de carrapatos repletos de sangue da capivara hospedeira.
As duas espécies totalmente visíveis na foto, a capivara e o frango d’água, estabeleceram uma relação de mutualismo não-obrigatório ou protocooperação. A protocooperação pode ser definida como uma associação bilateral, entre espécies diferentes, na qual ambas se beneficiam. Contudo, tal associação não é obrigatória, podendo cada espécie viver isoladamente [1]. Neste caso, o frango d’água está agindo de forma oportunista, aproveitando o momento de descanso da capivara para poder se alimentar de seus ectoparasitos.
Entretanto, a capivara, como maior roedor do mundo, é capaz de tolerar uma alta intensidade de infestação. Em outras palavras, um único animal pode abrigar dezenas ou até centenas de carrapatos e continuar a viver sem maiores problemas. E o frango d’água azul pode muito bem viver sem capivaras por perto, com seus suculentos carrapatos. A ave encontra muitos recursos, como insetos e outros artrópodes na vegetação flutuante em lagos e lagoas.
Resumindo, o carrapato parasita a capivara (parasitismo), o frango d’água come o carrapato (predação), e a capivara fica livre se seus hóspedes indesejados graças ao frango d’água (protocooperação).
Registro realizado no condomínio Haras de Aldeia, localizado na APA Aldeia Beberibe, no dia 10 de outubro de 2026.






Comentar