«Como diferenciar uma cobra coral verdadeira de uma falsa coral? É uma coral verdadeira?» Estas perguntas são bem frequentes quando as pessoas se deparam com serpentes que apresentam um padrão de coloração peculiar, marcado pela presença intercalada de anéis, frequentemente brancos, vermelhos e pretos. Toda serpente que se aproxima desse padrão, com cores mais ou menos semelhantes, entra na categoria «coral» e, infelizmente, todas são mortas.
As corais verdadeiras são serpentes da Família Elapidae. Nas Americas do Sul e Central, as corais são representadas por três gêneros: Micruroides, Leptomicrurus e Miccrurus. O último grupo é o mais diverso, com mais de 80 espécies conhecidas. No Brasil são conhecidas 35 espécies de corais do gênero Micrurus e todos os anos são descritas novas espécies [1].
As corais Micrurus são divididas em dois grupos filogenéticos diferentes, de acordo com o padrão de sequência dos anéis coloridos, que usualmente dão a volta completa em torno do corpo. No grupo conhecido como monadal, as corais possuem um anel preto entre dois anéis vermelhos. No grupo triadal, as corais apresentam três anéis pretos entre dois anéis vermelhos. Nos dois grupos, os anéis pretos são intercalados ou marginados por anéis brancos ou amarelos. A cabeça tem formato oval e os olhos são pequenos com pupila elíptica vertical. No Brasil, espécies de serpentes que escapem destes padrões de cores e formatos podem ser consideradas como falsas corais e, geralmente, não apresentam perigo aos seres humanos. Ao contrário das verdadeiras corais, que estão entre as serpentes mais peçonhentas do Mundo, com poderosos venenos neurotóxicos.
Entretanto, apesar do seu perigo, os acidentes ofídicos provocados por corais são relativamente raros em relação aos acidentes causados por jararacas e cascavéis [2]. Diferente das serpentes do grupo das Viperidae, as corais são menores e possuem uma dentição proteróglifa, caracterizada pela presença de um par de presas fixas na parte anterior da boca. Para injetar a peçonha, as corais precisam morder com firmeza suas presas. Além disso, as corais possuem hábitos semi-fossoriais (que vivem parcialmente enterradas no substrato), fazendo com que os encontros com estas serpentes sejam considerados raros e fortuitos.
As corais são eximias caçadoras de anfisbenas, de minhocas e de outras espécies de serpentes.
Registro realizado no dia 14 de fevereiro de 2025 na APA Aldeia Beberibe.






Seus comentários
# no dia 8 de março de 2025 as 23:49, por Daniele Gonçalves
Muito bom! Super importante essa informação que você trouxe junto com o registro!