Uma abelha mamangava da espécie Xylocopa frontalis visitando uma flor de feijão-da-praia em uma região de restinga na foz do rio Mamucabas, em Tamandaré, litoral sul de Pernambuco, no dia 31 de maio de 2025.
Mas a estrela da fotos não é a abelha, mas sim a flor que ela está visitado. É um exemplo maravilhoso de mutualismo . O feijão-da-praia é uma planta de hábitos rastejantes, sendo considerada uma espécie psamófila , isto é, adaptada a se instalar e viver em substratos arenosos, como praias e dunas. Se nome científico é Canavalia rosea (Sw.) DC. É uma espécie com distribuição mundial, podendo ser encontrada em regiões costeiras tropicais de todos os continentes, pois suas sementes são dispersas pelas correntes marinhas. É uma planta tolerante à salinidade do solo e ao soterramento em praias, sendo considerada como uma planta pioneira que ajuda a fixar dunas [1].
As flores do feijão da praia são rosas arroxeadas e produzidas ao longo do ano todo, mas são mais abundantes no verão. Suas pétalas são desiguais. Uma delas é grande e alongada e serve como plataforma de pouso para seus visitantes alados, ajudando na coleta de nectar e polen. No Brasil, várias espécies de abelhas visitam as flores do feijão da praia. Porém, só a mamangava preta Xylocopa frontalis consegue tirar máximo proveito dos recursos florais ofertados pela planta. Em troca, a mamangava é uma das únicas espécies que polinizam eficazmente as flores de Canavalia rosea.
As abelhas menores são consideradas como ladras de polen, pois elas não são grandes e pesadas o suficiente para baixar a pétala principal da flor e acessar o néctar e os órgãos reprodutivos da flor. Entretanto, as mamangavas conseguem forçar a pétala para baixo, acessando o pólen e as estruturas reprodutivas da flor, que entram em contato com o dorso da abelha que porventura já está coberto de pólen de outras flores (como é possível ver na foto), concluindo o processo de polinização [2]. Desta forma, o feijão da praia é diretamente dependente das mamangavas para a produção de frutos e sementes.
O amor, ops... o mutualismo é lindo!






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