Aplysia dactylomela é um molusco herbívoro gastropode que pertence ao grupo das lesmas do mar (Euopisthobranchia). Tem um corpo macio com um par de extensões semelhantes a asas chamadas parapódios que o ajudam a nadar ou rastejar. Ele também tem dois pares de tentáculos sensoriais em sua cabeça que são usados para sentir o ambiente e para se alimentar.
Uma das características mais marcantes desta lesma do mar é a sua coloração. Pode variar do cinza pálido ao verde, ao marrom escuro, mas tem sempre grandes manchas circulares pretas em seu manto. Acredita-se que essas manchas sejam uma forma de camuflagem ou aviso aos predadores. Aplysia dactylomela pode esguichar tinta roxa quando ameaçada, o que é irritante e uma distração para seus predadores [1]. É por isso que é chamada popularmente de pintor ou tintureira. Mais comumente é conhecida como lebre-do-mar, uma tradução literal do seu nome em inglês «sea hare».
Aplysia dactylomela apresenta distribuição mundial, podendo ser encontrada em regiões costeiras tropicais e subtropicais. Vive em águas rasas, piscinas naturais e leitos de ervas marinhas, onde se alimenta principalmente de algas vermelhas. No Nordeste do Brasil as lemas-tinteiras podem ser visualizadas mais frequentemente entre os meses de dezembro a março [2].
As espécies do gênero Aplysia são modelos biológicos para diversas áreas da biologia, notadamente da neurociência. Seus neurônios, fáceis de estudar, estão entre os maiores da natureza. Esses neurônios são as maiores células somáticas do reino animal (apenas os ovos são maiores) com belas colorações naturais de laranja, amarelo, leite, avermelhadas ou mesmo em algumas espécies, esverdeadas. Alguns destes neurônios podem ser vistos a olho nu e medir até 1,1 mm.
As lesmas-tinteiras são hermafroditas, mas não realizam auto-fecundação. Durante o período reprodutivo, uma única lesma pode colocar ovos a uma taxa notável de 41.000 por minuto, e uma único evento de oviposição pode conter até 83 milhões de ovos. Como eles podem colocar ovos por vários meses, alguns indivíduos podem produzir mais de um bilhão de ovos dentro de um mês. Em determinadas espécies, a cópula frequentemente envolve vários indivíduos, que às vezes formam um agrupamento com até 22-30 indivíduos em acasalamento, onde uma lesma age como macho e fêmea ao mesmo tempo.
Registro realizado em Tamandaré, literal sul de Pernambuco, no dia 7 de abril de 2023. Esta lesma foi encontrada na praia, fora do seu habitat natural. Provavelmente foi empurrada por correntes marinhas durante a maré alta.






Seus comentários
# no dia 20 de fevereiro de 2025 as 09:52, por Silvana Ferreira de Carvalho
Achei uma lesma dessa aqui em Praia de Pontas de Pedra, Goiana Pernambuco, fiquei abismada, toda marrom com umas bolinhas pretas.
# no dia 19 de dezembro de 2025 as 07:21, por Cassia
Peguei uma dessas na praia em Maragogi, e enquanto a levava para as águas, mar adentro, ela fez um som, como se comunicasse, como dando um grito bem baixinho.
# no dia 19 de dezembro de 2025 as 08:27, por Aléssio F.
Oi Cassia, muito interessante sua observação. As lesmas do mar não vocalizam nem emitem sons. Provavelmente alguma bolha de ar ficou aprisionada nas inúmeras dobras de pele do corpo dela. Então, quando você a manipulou, o ar deve ter saído, produzindo um tipo de assobio.
# no dia 18 de fevereiro as 18:05, por Jorge de Paula Lopes
Em Barra de Tabatinga, município de Nisia Floresta, RN. 5º.58 sul e 35º.06 Oeste,no dia 18/02/2026, avistamos uma lesma na cor marrom claro na beira mar, misturada com algas, quando se sentiu ameaçada expeliu tinta na cor cereja.E uma segunda, na cor verde escura mais afastada da beira mar.