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  1. Coleoptera

Coleoptera

Texto elaborado por Josival Araújo, colaborador do Portal de Zoologia de Pernambuco.

A ordem de animais mais diversa do planeta são os coleópteros, que corresponde a aproximadamente 30% dos animais e 40% dos insetos. O Brasil possui 33 mil espécies de besouros. Em torno de 4 mil espécies são endêmicas e distribuídas em 114 famílias [1]. Os besouros são caracterizados por apresentarem asas anteriores espessas, denominadas de élitros, com exoesqueleto fortemente esclerotizado. Os élitros possuem a função de proteção das asas membranosas, redução da perda de água pelo corpo e até mesmo aerodinâmica no voo [2].

O besouro mais antigo data do Carbonífero. No entanto a explosão desse grupo ocorreu no Cretáceo com o surgimento das angiospermas (plantas com flores). Os besouros e as plantas com flores coevoluiram durante o Cretáceo e das 10 famílias de besouros que possuem mais de 10 mil espécies, sete surgiram neste período. Antes do período Cretáceo os hábitos alimentares mais comuns eram a micofagia (alimentação de fungos), saprofagia (alimentação de plantas e animais mortos) e a predação [3].

Zhang e colaboradores (2018) [4] contribuíram com uma extensa amostragem de genes e espécies para revelar a história evolutiva dos coleópteros e as relações entre as subordens, Polyphaga (Adephaga (Archostemata, Myxophaga)).

As quatro subordens dos besouros são Archostemata, Myxophaga, Adephaga e o grande grupo dos Polyphaga, que contém mais de 90% das espécies conhecidas de besouros [5].

Filogenia de Coleoptera. Cladograma adaptado de Zhang et al, 2018

Os besouros apresentam diversos hábitos alimentares, morfologia, cores e comportamentos e isso permite que alguns grupos explorem um recurso com mais eficiência que outros. As pernas estão adaptadas em diferentes grupos para andar, correr, saltar, cavar ou nadar. Por isso, os coleópteros representam um grupo bem sucedido na ocupação de diversos nichos em todos os habitats terrestres do planeta, exceto as calotas polares.

Diversos hábitos alimentares foram descritos nos coleópteros:

  • Entre os hábitos alimentares existem espécies que no estágio larval e/ou adulto são detritívoras e alimentam-se de detritos de animais e vegetais mortos e microrganismos associados. Algumas larvas de Elateridae, Tenebrionidae, Curculionidae, Passalidae, Scarabaeidae, Chrysomelidae, são consideradas como pragas para a agricultura e horticultura [6].
  • Entre os besouros xilófagos, a família Buprestidae chama atenção pela espécie Euchroma gigantea, o maior Buprestídeo das Américas. As larvas dessa espécie são brocas de árvores utilizadas muitas vezes em arborização nas cidades. Essas larvas formam galerias nos tecidos vegetais que desestabilizam a árvore levando a sua morte e queda [7].
  • As fezes, particularmente de mamíferos, constituem um recurso bastante nutritivo e os besouros especializados neste recurso são conhecidos como coprófagos. Dentre eles os rola-bostas (Scarabaeinae) são bastante conhecidos pelo hábito de rolarem bolas de fezes.
  • Outros besouros alimentam-se de carniça de animais mortos ou são predadores da fauna cadavérica, como por exemplo: Scarabaeinae, Staphylinidae, Histeridae, Carabidae. Esses coleópteros possuem importância para a Ciência Forense [8].
  • Os besouros polinizadores de plantas com flores constituem o grupo mais diverso entre os coleópteros. Alguns coleópteros como Curculionidae (gorgulhos) e Chrysomelidae alimentam-se exclusivamente de plantas, sendo conhecidas como espécies fitófagas.
  • Somente dentro de Scarabaeinae, o grupo dos besouros rola-bostas pode encontrar diversas variações em hábitos alimentares, como alimentação de pétalas de flores em decomposição, predação de diplópodes, necrofagia, predação de formigas saúva e até mesmo espécies mirmecófilas associadas a formigueiros [9].

Qual a importância e o papel do besouro na natureza?

Os besouros realizam diversas funções nos ecossistemas, como a reciclagem de nutrientes, polinização, dispersão secundária de sementes na floresta pelos rola-bostas, controle de pragas e manutenção da comunidade de animais . Os besouros rola-bostas, por exemplo, são importantes para pecuária, pois eles realizam o controle biológico de mascas parasitas do gado, ciclagem de nutrientes e até mesmo contribui na diminuição da emissão de gases do efeito estufa [10].

Observações

[1Monné ML,Costa C 2020. Coleoptera in Catálogo Taxonômico da Fauna do Brasil. PNUD. Disponível em: <http://fauna.jbrj.gov.br/fauna/faun...> .

[2Johansson, L. C., Engel, S., Baird, E., Dacke, M., Muijres, F. T., & Hedenström, A. (2012). Elytra boost lift, but reduce aerodynamic efficiency in flying beetles. Journal of the Royal Society Interface, 9(75), 2745-2748.

[3Zhang, S. Q., Che, L. H., Li, Y., Liang, D., Pang, H., Ślipiński, A., & Zhang, P. (2018). Evolutionary history of Coleoptera revealed by extensive sampling of genes and species. Nature Communications, 9(1), 1-11.

[4Zhang, S. Q., Che, L. H., Li, Y., Liang, D., Pang, H., Ślipiński, A., & Zhang, P. (2018). Evolutionary history of Coleoptera revealed by extensive sampling of genes and species. Nature Communications, 9(1), 205.

[5Costa, C.. Coleoptera. In: C. A. Joly & C. E. de M. Bicudo. (Org.). Biodiversidade do Estado de São Paulo, Brasil: síntese do conhecimento ao final do século XX. Invertebrados terrestres. São Paulo: Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, 1999, v. 5, p. 113-122.

[6Gullan, P.J.,Cranston, P.S. Os insetos: um resumo de entomologia. Roca, 2012.

[7Netto, S. R., De Campos, T. B., & Ide, S. (2003). Euchroma gigantea (Linnaeus)(Coleoptera, Buprestidae) como causa da queda de Chorisia speciosa St. Hil.(Bombacaceae). Arq. Inst. Biol., São Paulo, 70(3), 381-384.

[8Oliveira-Costa, J. 2007. Entomologia Forense: Quando os insetos são vestígios. 2ª edição, (Tratado de perícias criminalísticas; v.8). Campinas, Millennium Editora, 456 p.

[9Halffter, G, Matthews, E.G. (1966). The natural history of dung beetles of the subfamily Scarabaeinae (Coleoptera, Scarabaeidae). Folia Entomol Mex 12: 1-312.

[10Slade, E. M., Riutta, T., Roslin, T., & Tuomisto, H. L. (2016). The role of dung beetles in reducing greenhouse gas emissions from cattle farming. Scientific Reports, 6(1), 1-9.

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